Celular de Vorcaro cita pagamento de R$ 500 mil e número ligado a filho de ministro do STF

Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, relacionam o advogado Kevin Marques a um pagamento mensal de R$ 500 mil. As mensagens foram trocadas com Luiz Rennó, então diretor jurídico da instituição, e divulgadas nesta terça-feira (15) pelo Metrópoles, que teve acesso ao conteúdo.
Segundo a publicação, o número de telefone associado ao contato de Kevin Marques seria do filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.
Em uma conversa de 4 de julho de 2025, Rennó encaminhou a Vorcaro um arquivo com o nome do advogado e um número de telefone, acompanhado da mensagem: “Esse aqui — 500 mil mês — mantém?”. Na sequência, o executivo escreveu: “Esse aqui já era, né?”, seguido de risadas. Vorcaro respondeu também com “kkkk”.

Em 8 de agosto do mesmo ano, Rennó voltou a encaminhar uma planilha com o nome de Kevin Marques e o valor de R$ 500 mil. Nas mensagens, escreveu “esse aí”, “único meu que faltou” e “foi pago”.

Procurado pela coluna, Kassio Nunes Marques afirmou que o filho nunca trabalhou para o Banco Master e, portanto, não recebeu valores da instituição. O ministro também declarou que não teve acesso ao conjunto de mensagens.
Conversas também citam julgamento no STF
Outro trecho das mensagens divulgado pelo Metrópoles faz referência ao julgamento envolvendo a destilaria Alcídia, localizada em Teodoro Sampaio (SP). Em uma conversa, Rennó informou a Vorcaro: “Ganhamos Alcídia”.

O caso chegou ao STF e teve decisão favorável com votos de Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. O julgamento foi concluído em 1º de outubro de 2024.
De acordo com o material divulgado, o resultado era de interesse do Banco Master porque a instituição mantinha em seu balanço uma carteira estimada em R$ 10 bilhões em precatórios relacionados ao setor. O valor desses ativos dependia do reconhecimento das indenizações.
As mensagens também indicariam que o julgamento havia sido interrompido por um pedido de vista de Kassio Nunes Marques. Antes da conclusão, Rennó teria informado que era necessário que o ministro liberasse o processo para que a análise fosse retomada.
Crédito: Metrópoles / coluna Andreza Matais.




