Justiça começa a ouvir vítimas e testemunhas em processo contra líder da Igreja Shekinah em Paço do Lumiar

A Vara Criminal de Paço do Lumiar realiza, ao longo desta semana, a coleta dos depoimentos de vítimas e testemunhas no processo que envolve David Gonçalves da Silva, líder da Igreja Shekinah House Church. O religioso responde a acusações relacionadas a crimes que teriam sido praticados contra pessoas que viviam na instituição, localizada em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.
Conforme informado pela Justiça, dependendo do andamento das audiências, o interrogatório de David Gonçalves também poderá ocorrer nesta semana. O processo tramita em segredo de Justiça em razão da natureza dos fatos e da necessidade de preservar as vítimas. Com isso, não foram autorizadas a cobertura ou o acompanhamento das audiências.
David Gonçalves foi preso em abril deste ano durante a Operação Falso Profeta, deflagrada pela Polícia Civil do Maranhão. Na ocasião, as investigações apontavam suspeitas de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa. Segundo a Polícia Civil, a apuração já vinha sendo realizada havia cerca de dois anos.
Em junho, o Ministério Público do Maranhão apresentou denúncia contra o líder religioso. Segundo informações divulgadas à época, a acusação inclui estupro de vulnerável contra oito vítimas, tentativa de estupro, tortura e estelionato. O material encaminhado à Justiça foi baseado em um inquérito policial com mais de 700 páginas.
As investigações também apontaram relatos de castigos físicos e controle sobre a rotina dos moradores da instituição. Entre os elementos reunidos pela Polícia Civil estão depoimentos, documentos, registros audiovisuais e relatos de pessoas que afirmaram ter sofrido punições físicas e psicológicas.
Além da investigação criminal, o caso também passou a ser acompanhado por órgãos trabalhistas. Em maio, uma operação coordenada por órgãos de fiscalização resgatou pessoas que, segundo o Ministério Público do Trabalho, estavam submetidas a condições de trabalho análogas à escravidão nas dependências ligadas à igreja. O MPT informou que a apuração trabalhista poderia resultar em ação civil pública para garantir direitos e eventuais indenizações.
Com a realização das audiências desta semana, o processo entra em uma nova etapa da tramitação judicial. A oitiva das vítimas e testemunhas deverá contribuir para a análise das acusações apresentadas contra David Gonçalves. Por estar sob segredo de Justiça, detalhes dos depoimentos e do conteúdo das audiências não podem ser divulgados.
O acusado permanece sujeito ao princípio da presunção de inocência e terá direito à ampla defesa e ao contraditório no decorrer do processo.



