PF investiga funcionário que sacou quase R$ 1 milhão para construtora em São Luís

A Polícia Federal investiga uma série de movimentações financeiras da Enciza Engenharia Civil Ltda. após identificar saques milionários realizados por um funcionário da empresa em São Luís. O caso ganhou um novo desdobramento na quarta-feira (4), quando João Pedro Mendes Pereira, auxiliar administrativo da construtora, foi preso em flagrante transportando R$ 998.980 em espécie dentro de um veículo.
De acordo com informações divulgadas pelo jornalista Domingos Costa, do Blog do DC, o dinheiro havia sido retirado de uma agência do Banco do Brasil, localizada na Avenida Colares Moreira, no bairro Renascença. A quantia saiu de uma conta vinculada à Enciza Engenharia, empresa do empresário José Lauro de Castro Moura.
As investigações apontam que João Pedro atuava como responsável por solicitar e organizar a retirada de grandes quantias em dinheiro vivo em nome da construtora. Documentos analisados pelos investigadores identificaram pedidos de provisionamento de recursos para os dias 4, 5, 6, 9 e 10 de novembro, cujos valores ultrapassam R$ 2,9 milhões.
As operações despertaram a atenção dos órgãos de inteligência financeira, principalmente pela frequência dos saques e pelos valores envolvidos. O Relatório de Inteligência Financeira nº 152304.3.5242.7181 também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o faturamento declarado pela empresa.
A Polícia Federal apura se as operações podem estar relacionadas à lavagem de dinheiro ou à ocultação de recursos provenientes de possíveis infrações penais, inclusive em investigações envolvendo contratos com a Administração Pública.
Abordagem ocorreu após saída de agência bancária
Segundo os registros da investigação, os policiais receberam a informação de que o funcionário faria uma retirada de aproximadamente R$ 1 milhão na agência bancária. Uma equipe passou a acompanhar a movimentação nas proximidades, sob coordenação do delegado Salomão Sá Menezes Moraes.

Por volta do meio-dia, João Pedro deixou o banco com uma mochila preta e entrou em um Hyundai HB20S. Os agentes iniciaram o acompanhamento e deram ordem de parada, que inicialmente não foi obedecida. Após percorrer cerca de dois quilômetros, o veículo foi estacionado e o motorista abordado.
Durante a revista, os policiais encontraram os R$ 998.980 acondicionados na mochila.
Funcionário apresentou justificativa para o saque
Em depoimento, João Pedro afirmou que o dinheiro seria utilizado para pagar o sinal de compra de um imóvel avaliado em R$ 12,5 milhões.
A defesa apresentou documentos de uma negociação imobiliária envolvendo as empresas Oceanos Investimentos Imobiliários Ltda. e Planta Comércio e Engenharia Ltda. O contrato particular prevê o pagamento de R$ 1 milhão como entrada, enquanto o restante do valor seria transferido para uma conta bancária indicada pela empresa vendedora.
A versão apresentada deverá ser analisada pela Polícia Federal no decorrer das investigações.
O funcionário foi preso em flagrante por suspeita de envolvimento em crime previsto na Lei nº 9.613/1998, que trata de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, direitos e valores.
A apuração busca esclarecer a procedência dos recursos, a finalidade dos saques e uma possível relação entre as movimentações financeiras da construtora e eventuais irregularidades em contratos públicos.



