Uso político do Sistema S no Maranhão levanta suspeitas de favorecimento a pré-candidato ao Senado

Uma série de fatos recentes tem gerado desconfiança sobre o uso de entidades do Sistema S em apoio a projetos eleitorais no Maranhão. No centro da polêmica está o ex-prefeito de Santa Rita, Dr. Hilton Gonçalo (Mobiliza), que se apresenta como pré-candidato ao Senado em 2026.
Denúncias apontam que o político seria o principal beneficiário de uma estratégia que envolveria a atuação do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para fortalecer sua pré-campanha. O elo familiar é visto como peça-chave: Celso Gonçalo, irmão de Hilton, preside o Conselho Deliberativo do Sebrae-MA, cargo de forte influência no Sistema S.

O caso que acendeu o alerta ocorreu em Palmeirândia. Em 23 de agosto, o prefeito Edilson Alvorada (PL), que havia rompido com o grupo Gonçalo, declarou apoio à pré-candidatura de Hilton ao Senado. Três semanas depois, o município recebeu a caravana do “SESI Itinerante”, programa que leva serviços de saúde e odontologia. Para analistas políticos, a coincidência entre o apoio e a chegada do projeto é, no mínimo, questionável.
Especialistas lembram que, embora não façam parte da administração direta, SESI e Sebrae administram recursos de interesse público provenientes de contribuições compulsórias das empresas e, por isso, devem respeitar princípios como moralidade e impessoalidade. A escolha dos municípios atendidos precisa obedecer a critérios técnicos, e não a alianças eleitorais.
Juristas consultados avaliam que, se confirmada a utilização das entidades para favorecer um pré-candidato, podem ser configurados atos de improbidade administrativa, abuso de poder político e econômico e até conduta vedada pela legislação eleitoral. Esses ilícitos podem resultar em ações civis, suspensão de programas e inelegibilidade por até oito anos.
O Ministério Público é apontado como o órgão competente para apurar se houve desvio de finalidade. A investigação deve verificar se a agenda do SESI e a influência do Sebrae foram direcionadas em troca de apoio político.
A polêmica expõe um risco para a credibilidade do Sistema S, que tem como finalidade atender a trabalhadores e empreendedores, e não servir de moeda de troca em disputas eleitorais. Até o momento, não houve manifestação oficial de Dr. Hilton Gonçalo, de seu irmão Celso ou das entidades envolvidas.



