Instituto Viver é investigado por contratos de mais de R$247 milhões com prefeituras do Maranhão

O Instituto Viver, organização sediada em São Luís, tem sido alvo de denúncias envolvendo contratos públicos milionários firmados com diversas prefeituras do Maranhão, com destaque para o município de Paraibano. Entre 2020 e 2025, a instituição teria celebrado acordos que totalizam mais de R$ 247 milhões com 23 administrações municipais do estado.
Em Paraibano, moradores afirmam que o Instituto Viver foi contratado para disponibilizar médicos e enfermeiros, porém relatam que o atendimento continua sendo realizado pela regional de saúde de São João dos Patos. A situação levanta suspeitas de que não existam, de fato, profissionais do instituto atuando no local. Além disso, há indícios de que não foram encontrados registros formais de vínculo empregatício dessas vagas na RAIS, o que reforça as dúvidas sobre a execução dos contratos.
As apurações indicam ainda um crescimento acelerado no volume de contratos da instituição, especialmente em anos eleitorais. Os repasses, que somavam cerca de R$ 3,1 milhões em 2020, teriam saltado para mais de R$ 95 milhões em 2024, um aumento expressivo que levanta questionamentos sobre a regularidade e o possível uso político dos recursos públicos.
Outro ponto sob investigação é o uso recorrente de atas de registro de preços, conhecidas como “caronas”, que podem ter sido utilizadas para evitar licitações convencionais. Há também denúncias de que profissionais contratados por meio do instituto estariam trabalhando sem carteira assinada ou vínculo formal, caracterizando precarização laboral.
As representações encaminhadas ao GAECO do Ministério Público do Maranhão pedem a apuração de possíveis crimes como fraude em licitação, peculato, lavagem de dinheiro e financiamento irregular de campanhas eleitorais. As solicitações incluem quebra de sigilos bancários, busca e apreensão de documentos e realização de auditorias para verificar a aplicação dos recursos em cada município.
Apesar da gravidade das acusações, ainda não há um relatório público que detalhe os valores repassados por cidade nem a comprovação documental da contratação e atuação dos profissionais. A falta de transparência na execução desses contratos dificulta o controle social e impede que a população saiba como o dinheiro público vem sendo utilizado.



