Ranking interno da SMTT revolta motoristas e expõe a indústria da penalidade em São Luís

A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) de São Luís voltou ao centro das críticas após a divulgação de um ranking interno que revela a quantidade de multas aplicadas pelos diferentes setores de fiscalização da pasta. O levantamento, compartilhado em grupos de WhatsApp, mostra números que escancaram o que muitos motoristas já percebem nas ruas: a capital vive uma verdadeira “indústria da penalidade”, onde punir parece mais importante do que educar.
O ranking, referente ao mês de setembro de 2025, separa os dados por setores: Fiscalização de Trânsito, Transporte, Grupo de Operações, GTT e Videomonitoramento.
Os números são alarmantes. O setor de Fiscalização aparece com mais de 1.300 autuações em apenas um mês, o que equivale a mais de 40 multas por dia. No Videomonitoramento, as autuações passam de 900, enquanto o GTT e o Grupo de Operações registram centenas de infrações cada.
A divulgação do ranking gerou revolta entre motoristas, que veem na prática um incentivo institucional à punição em massa. Em vez de buscar soluções para o trânsito caótico, a SMTT parece ter adotado uma política de metas, onde a quantidade de multas se sobrepõe à qualidade da fiscalização.
Além disso, há diversas denúncias de condutores que afirmam ter recebido multas indevidas, duplicadas ou sem qualquer comprovação, especialmente em áreas monitoradas por câmeras. Esses relatos reforçam a suspeita de que muitas autuações precisam ser investigadas, pois indicam falhas graves no sistema e levantam dúvidas sobre a lisura do processo. Para muitos, a sensação é de que o importante é gerar números, não justiça.
A situação evidencia que o foco da SMTT parece estar cada vez mais voltado para a arrecadação de recursos do que para a melhoria do trânsito. O volume de autuações, aliado à falta de transparência e ao aumento das reclamações, mostra que o órgão age como um braço arrecadador da prefeitura, e não como gestor de mobilidade urbana.
Enquanto a SMTT comemora o volume de autuações, o trânsito de São Luís segue mal sinalizado, congestionado e inseguro. Buracos, faixas apagadas e semáforos quebrados se multiplicam pela cidade, evidenciando o abandono da infraestrutura viária. A capital se tornou um exemplo de fiscalização sem gestão, onde o motorista é tratado como alvo, não como cidadão.
Diante do cenário, o secretário da SMTT e o prefeito Eduardo Braide devem explicações à população. É dever do poder público esclarecer qual é o real objetivo dessa enxurrada de multas e apresentar resultados concretos na melhoria da mobilidade urbana. O silêncio e a omissão apenas reforçam a percepção de que o sistema foi moldado para arrecadar, e não para organizar o trânsito da cidade.
No fim das contas, o ranking das multas deixa uma mensagem clara: em São Luís, a SMTT mede eficiência pelo número de autuações e não pela melhora no trânsito. O resultado é o que todos sentem no bolso e no asfalto: mais multas, menos mobilidade e uma população cada vez mais cansada de pagar pela incompetência e pela ganância da gestão municipal.



