Moraes manda explicar investigação contra famílias que removeram corpos da operação no RJ

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o delegado responsável pela 22ª Delegacia de Polícia, na Penha, informe em até 48 horas se foi aberto inquérito para investigar familiares das vítimas da megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, realizada em 28 de outubro. Os parentes foram acusados de retirar corpos da mata e levá-los para áreas mais baixas da comunidade.
A denúncia chegou ao ministro durante reunião com entidades de direitos humanos, que também relataram dificuldade de acesso às perícias e precariedade na polícia técnico-científica fluminense.
Além disso, Moraes ordenou que o governo do Rio envie ao STF todos os laudos de necropsia, análises de projéteis, a lista de policiais que usavam câmeras corporais e as imagens registradas na operação.
Ele questionou ainda contradições nos números apresentados pelo Estado: enquanto o governo fala em 51 alvos, a procuradoria cita 69 mandados e informações divulgadas à imprensa mencionaram 100 ordens judiciais.
O ministro também pediu que o Tribunal de Justiça detalhe quantos mandados foram cumpridos e apresente a listagem completa dos presos, incluindo a realização das audiências de custódia.
As medidas fazem parte da ADPF das Favelas, ação já julgada pelo STF que estabelece protocolos de proteção aos moradores durante operações policiais. Moraes assumiu a relatoria temporária após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Por fim, o ministro suspendeu decisão do Conselho Nacional do Ministério Público que havia barrado o acesso do Ministério Público Federal ao orçamento da operação. A conselheira responsável terá 48 horas para explicar sua decisão.



