Prefeita de Arari teria agredido doméstica e cometido injúria racial no Dia da Consciência Negra

A empregada doméstica Mazolina de Jesus Rodrigues procurou a Delegacia de Polícia de Arari, nesta quinta-feira (25), para registrar o Boletim de Ocorrência nº 00384061/2025, no qual relata uma sequência de agressões físicas, verbais e psicológicas envolvendo a prefeita do município, Maria Alves Muniz, conhecida como “Simplesmente Maria”.
Segundo o depoimento prestado à Polícia Civil, o episódio aconteceu na madrugada do Dia da Consciência Negra, 20 de novembro. Mazolina informou que trabalhava na residência da gestora, concluindo tarefas domésticas enquanto a prefeita e familiares participavam de um momento de lazer com consumo de bebida alcoólica. Após finalizar os serviços, ela retornou para sua casa, que fica nos fundos da propriedade.
Pouco tempo depois, o marido da prefeita, Bebeto Abas, teria chegado embriagado acompanhado do esposo da doméstica. Na casa, também estavam o secretário de Cultura e outras pessoas. Mazolina contou que pediu ao neto que chamasse o marido para ir embora, mas recebeu como resposta da prefeita que ele não sairia da roda de bebida “porque quem mandava nele era ela”.
A trabalhadora disse que foi pessoalmente ao local onde o marido estava sentado e pediu que ele fosse para casa, mas, segundo ela, ele não reagiu. Nesse momento, conforme o boletim, a prefeita passou a ofendê-la e, em seguida, a agredi-la fisicamente.
Mazolina afirma que “Simplesmente Maria” a empurrou, apertou suas costelas com força e a arrastou até a porta do quintal enquanto gritava que mandava no marido da doméstica. A agressão só teria cessado quando uma testemunha, identificada como Zezé, interveio e segurou a prefeita.
A doméstica relatou ainda que, embora essa tenha sido a primeira agressão física, a prefeita frequentemente a humilhava com insultos e xingamentos. Segundo o B.O, Mazolina também foi vítima de ofensas racistas:
“Ela disse que eu era preta e que não adiantava alisar o cabelo porque era cabelo de preto.”

No relato, a trabalhadora afirmou que as câmeras de segurança da casa registraram toda a cena. No dia seguinte, ao acordar, seu marido, ainda sob efeito da bebida, teria a expulsado de casa, pegado uma arma do vigia e dito que a mataria se ela não saísse. A vítima se refugiou na casa de uma amiga, deixando seus pertences trancados no quarto.
O caso foi encaminhado à Polícia Civil, que dará continuidade às investigações.
Com informações de Domingos Costa.



