Endividada, empresa de ônibus desvia R$ 1,6 milhão a mineradora: vice do SET está no centro do caso

Em meio a uma grave crise financeira, que deixa funcionários e motoristas sem salários, FGTS e até auxílio alimentação, o grupo Expresso Rei de França, que atua no transporte coletivo de São Luís, tem driblado bloqueios judiciais e transferido recursos públicos para uma mineradora ligada ao empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como PP. As informações foram publicadas nesta quinta-feira (19) pelo jornalista Tácio Lorran, do site Metrópoles.
Pedro Paulo é vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), entidade responsável por gerenciar a arrecadação das passagens e repassar os valores às empresas que operam no sistema, incluindo a própria Expresso Rei de França, atualmente em nome de sua filha, Deborah Piorski Ferreira.
Extratos bancários de duas empresas do grupo mostram o repasse de R$ 1,6 milhão à Goldcoltan em cerca de três meses, no fim de 2025. O valor faz parte de uma movimentação total de R$ 6,7 milhões em débitos. Os documentos também indicam pagamentos de despesas pessoais do empresário.


Foram identificados R$ 131,7 mil em transferências via Pix, entre setembro e novembro de 2025, diretamente para Pedro Paulo ou com descrições como “Aluguel PP”, “Cartão de crédito PP”, “Locação apto PP”, “Enxoval PP”.
A Goldcoltan pertence ao próprio empresário e também dá nome a uma empresa de serviços de limpeza registrada em nome de sua filha. O grupo, que também inclui a Expresso Grapiúna, está em recuperação judicial e acumula dívidas de R$ 177 milhões.
Os repasses à mineradora ocorrem em meio a bloqueios judiciais contra as empresas de ônibus, o que levanta suspeitas de blindagem patrimonial. Credores também apontam a existência de diversas empresas em nome de familiares de Pedro Paulo, como esposa e filhos, o que pode indicar uso de terceiros para ocultação de patrimônio.
A própria defesa do grupo confirmou a prática. “As empresas em recuperação judicial vinham sofrendo bloqueios e constrições recorrentes em suas contas. Diante desse cenário, foi adotada uma sistemática operacional de centralização financeira, com repasses ao final do dia para conta vinculada à Goldcoltan, a partir da qual eram realizados pagamentos de despesas operacionais essenciais do grupo”, afirmou a advogada Evelline Freitas.
Ela acrescentou que “os lançamentos não podem ser interpretados de forma isolada como ‘desvios’, pois estavam inseridos em uma dinâmica de preservação da continuidade operacional, manutenção das atividades empresariais e cumprimento de obrigações correntes”.
A advogada, no entanto, não explicou os pagamentos de despesas pessoais do empresário. “Eventuais esclarecimentos adicionais poderão ser prestados em momento oportuno, pelos canais adequados, com a devida análise técnica e documental do caso”, disse.
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