Publicitária do PT liga Careca do INSS a empresa suspeita de movimentar R$ 371 milhões

A publicitária Danielle Miranda Fonteles, que já prestou serviços para campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT), incluindo a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, passou a ser citada nas investigações da CPMI do INSS, que apura um esquema milionário envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados. Segundo informações apuradas pela coluna da jornalista Andrezza Matais, do site Metrópoles.
Danielle aparece ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como figura central do esquema. O nome da publicitária surge após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificarem um pagamento de R$ 200 mil feito pela Spyder Consultoria, empresa investigada por suspeita de ser uma empresa de fachada.
A Spyder Consultoria foi registrada na Junta Comercial de São Paulo em 13 de dezembro de 2024 e aparece cadastrada na Receita Federal em um prédio comercial no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital paulista. A empresa não possui site, páginas em redes sociais nem atuação conhecida no mercado.
Mesmo com capital social de apenas R$ 120 mil, o equivalente a 0,032% dos R$ 371 milhões movimentados, a Spyder registrou uma movimentação financeira considerada atípica. Nos seis primeiros meses de 2025, a empresa recebeu R$ 185,5 milhões em créditos e realizou R$ 185,8 milhões em débitos. Segundo critérios do BNDES, esse volume é suficiente para enquadrá-la como empresa de grande porte, com receita anual acima de R$ 300 milhões.
Dados enviados pela Receita Federal à CPMI do INSS mostram que, apenas duas semanas após o registro, já em janeiro de 2025, a Spyder havia movimentado pouco mais de R$ 16 milhões.
De acordo com a investigação, a Spyder recebeu recursos da Dinar S/A Participações, empresa ligada ao Careca do INSS e apontada como uma das estruturas utilizadas no esquema. A Dinar, por sua vez, recebeu milhões de reais da Arpar, empresa pertencente ao Careca, e também da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), outra entidade investigada na apuração.
Procurada, Danielle Fonteles afirmou que não conhece a Spyder Consultoria e que o pagamento de R$ 200 mil teria sido feito a pedido do Careca do INSS, como parte da negociação da venda de um imóvel em Trancoso, distrito de Porto Seguro, no sul da Bahia. A defesa do empresário informou que ele não irá se manifestar sobre o caso.As investigações também apontam que Danielle manteve relações empresariais com o Careca do INSS fora do Brasil, incluindo sociedades em negócios na área de cannabis medicinal em Portugal, conforme apurações da Polícia Federal.
Diante das movimentações financeiras e das conexões identificadas, a CPMI do INSS pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal da Spyder Consultoria, além de aprofundar a análise das relações entre empresas e pessoas físicas envolvidas.
A comissão tenta esclarecer como empresas recém-criadas, sem estrutura visível e em nome de pessoas sem histórico empresarial, passaram a movimentar valores milionários enquanto aposentados e pensionistas tiveram descontos indevidos em seus benefícios.



