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Servidor fantasma com salário de R$ 30 mil fez repasse de R$ 120 mil à irmã da prefeita de Arari

Um esquema envolvendo recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) voltou a colocar a Prefeitura de Arari no centro de graves denúncias. Documentos mostram que um servidor apontado como “funcionário fantasma”, beneficiado com salário mensal de até R$ 30 mil, realizou uma transferência bancária de R$ 120 mil para uma empresa pertencente à irmã da prefeita do município, Maria Alves Muniz, conhecida como “Simplesmente Maria”.

A transferência foi feita no dia 13 de março de 2025, às 8h41, a partir de uma conta do Banco Bradesco vinculada ao pagamento de recursos públicos. O valor saiu da agência 2358, conta nº 0012421-4, e teve como destino a conta da empresa S C Alves Muniz Ltda., agência 3650, conta nº 120682-5. A empresa está registrada em nome de Silvia Cristina Alves Muniz, irmã da prefeita, e possui CNPJ ativo na Receita Federal.

O autor da transferência é Moisés Araújo da Silva, morador do município de Paraibano, no Sertão maranhense. Ele figura nas investigações como um dos servidores incluídos irregularmente na folha de pagamento da Secretaria Municipal de Educação de Arari, ocupando cargo comissionado de Agente Administrativo, apesar de não exercer qualquer atividade no município.

Supostos funcionários fantasmas e salários elevados

Apurações apontam que Moisés não seria um caso isolado. Pelo menos outras 40 pessoas teriam sido “enxertadas” na folha de pagamento da prefeitura, recebendo vencimentos considerados fora do padrão, que variavam entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. Parte desses valores, segundo as denúncias, retornaria por meio de repasses para contas ligadas a familiares da prefeita e ao ex-secretário municipal de Educação, Alexandre da Costa Alves.

Os dados mostram ainda que, em fevereiro de 2025, Moisés teria recebido pagamento em duplicidade no mesmo mês, o que reforça suspeitas de irregularidades no controle da folha. Outro ponto que chama atenção é o fato de os contracheques indicarem salário base igual ao salário líquido, sem descontos tributários, levantando indícios de fraude administrativa e fiscal.

Entre janeiro e março deste ano, Moisés recebeu ao menos R$ 90 mil dos cofres municipais, sem qualquer comprovação de vínculo funcional efetivo. As investigações indicam que ele também teria atuado como operador do esquema, recolhendo parte dos valores pagos a outros servidores fantasmas e realizando as transferências.

Empresa da família no centro das suspeitas

A empresa S C Alves Muniz Ltda., que recebeu os R$ 120 mil, possui capital social de R$ 500 mil e é responsável pela administração da Pousada Porto Sorriso, localizada em Barreirinhas (MA). Embora esteja formalmente registrada em nome de Silvia Cristina Alves Muniz, a gestão do empreendimento seria feita por outra irmã da prefeita, Isabel Alves Muniz, figura conhecida em Arari por sua influência nos bastidores da administração municipal.

Essa relação familiar direta entre a prefeita e as responsáveis pela empresa reforça as suspeitas de que o estabelecimento estaria sendo utilizado como destino final de recursos públicos desviados, configurando possível lavagem de dinheiro com verbas originalmente destinadas à educação básica.

Pedido de investigaçãoO comprovante bancário da transferência é considerado peça-chave para a apuração de crimes como desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Diante da gravidade dos fatos, cresce a pressão para que órgãos de controle e investigação aprofundem o caso.

As denúncias devem ser analisadas pelo Ministério Público Estadual e Federal, pela Controladoria-Geral da União (CGU), pela Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor) e pela Polícia Federal. O objetivo é identificar responsabilidades, interromper o suposto esquema e garantir que os recursos do Fundeb sejam aplicados corretamente na educação do município.

Na pousada Porto Sorriso, Silvia, de blusa marrom sorridente; Isabel, com óculos pretos, segura xícara ao centro, e a prefeita Maria, de blusa preta, completa a mesa de café da manhã.

Com informações, Domingos Costa.

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