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De monitorado no Maranhão a mesário na Argentina: A fuga inusitada de réu do 8 de Janeiro

A saga da fuga: Do Rio das Balsas aos pampas argentinos. Foto: reprodução/Revista Piauí

Um homem de 52 anos investigado pela participação nos atos de depredação de 8 de janeiro de 2023 conseguiu escapar do monitoramento eletrônico no Maranhão e chegou à Argentina após uma fuga que incluiu uma viagem de bicicleta de aproximadamente 3 mil quilômetros. Claudiomiro da Rosa Soares voltou a ser localizado em outubro de 2026, quando atuava como fiscal partidário do PL em Buenos Aires, durante as eleições brasileiras.

A fuga começou em junho de 2024, no município de Balsas, no sul do Maranhão. Depois de passar quase um ano preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, Claudiomiro havia recebido o benefício da prisão domiciliar, mediante uso de tornozeleira eletrônica.

Para escapar, ele cortou o equipamento de monitoramento e o jogou no Rio das Balsas, interrompendo o sinal de localização. Em seguida, conseguiu uma carona até Araguaína, no Tocantins, de onde iniciou o trajeto de bicicleta em direção à Argentina.

Segundo os relatos sobre o caso, o percurso foi de aproximadamente 3 mil quilômetros. Após cruzar a fronteira no início de julho de 2024, ele seguiu de ônibus até Buenos Aires, onde passou a viver e realizar trabalhos informais, principalmente na área de pintura.

Localizado durante eleição

Mesmo sendo considerado foragido da Justiça brasileira, Claudiomiro conseguiu se cadastrar pela internet para trabalhar como fiscal de votação do Partido Liberal (PL) na representação diplomática do Brasil em Buenos Aires.

A presença dele no local foi identificada no dia 4 de outubro de 2026, durante o primeiro turno das eleições. A Polícia Federal comunicou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), que tomou conhecimento do descumprimento das medidas judiciais.

Diante da situação, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do investigado.

Acusações e versão da defesa

Claudiomiro responde a acusações relacionadas aos atos de 8 de janeiro, entre elas tentativa de golpe de Estado, associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O advogado Geovane Veras Pessoa, responsável pela defesa, classificou a participação do cliente como fiscal eleitoral em Buenos Aires como um equívoco que acabou agravando sua situação perante a Justiça brasileira.

O investigado nega ter participado da depredação dos prédios públicos em Brasília. Em sua versão, ele entrou no Supremo Tribunal Federal com a intenção de ajudar a conter focos de incêndio.

Enquanto aguarda os desdobramentos do processo, Claudiomiro permanecia na capital argentina, onde sobrevivia de trabalhos informais ao lado de outros brasileiros.

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