Search
Close this search box.

Ministério da Saúde faz inspeção em UTIs pediátricas do Hospital da Criança de São Luís

Denúncias encaminhadas ao governo federal apontam possíveis problemas na estrutura das UTIs, falta de medicamentos e insumos, dificuldades nas condições de trabalho dos profissionais de saúde e suspeitas de inconsistências nos registros de mortes ocorridas no hospital

Técnicos do Ministério da Saúde realizaram, na manhã desta terça-feira (14), uma auditoria nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas do Hospital da Criança, em São Luís. A fiscalização foi motivada por denúncias encaminhadas à Ouvidoria da pasta e busca apurar possíveis irregularidades na estrutura e no funcionamento da unidade hospitalar.

A inspeção é coordenada pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) e conta com a participação de cinco técnicos. A expectativa é que o relatório final, com as constatações e eventuais recomendações, seja concluído nos próximos dias e sirva de base para a adoção de medidas pelo Ministério da Saúde.

As denúncias encaminhadas ao governo federal apontam possíveis problemas na estrutura das UTIs, falta de medicamentos e insumos, dificuldades nas condições de trabalho dos profissionais de saúde e suspeitas de inconsistências nos registros de mortes ocorridas no hospital. O caso ganhou repercussão após questionamentos sobre os dados de mortalidade da unidade.

Em nota ao G1, a Prefeitura de São Luís negou a existência de desabastecimento generalizado de medicamentos e materiais hospitalares. A administração municipal afirmou que eventuais reduções nos estoques podem ocorrer em períodos de maior demanda, mas que os insumos são remanejados entre setores ou substituídos por medicamentos equivalentes quando necessário.

O município também informou que mantém monitoramento permanente das UTIs para evitar interrupções nos serviços e destacou que o Hospital da Criança realiza cerca de 10 mil atendimentos por mês. Segundo a gestão, aproximadamente 71% dos pacientes internados no primeiro semestre deste ano são provenientes de municípios do interior do Maranhão, o que aumenta a ocupação dos leitos e o consumo de medicamentos e materiais.

Sobre os números de óbitos, a Prefeitura contestou a informação de aumento expressivo das mortes na unidade. De acordo com a administração municipal, houve uma variação de 4,5% entre 2024 e 2025, passando de 112 para 117 mortes. O município afirmou ainda que todas as ocorrências são notificadas ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e que eventuais diferenças entre os dados locais e as plataformas federais decorrem de atrasos no processamento e na atualização das informações.

A gestão municipal também defendeu a regularidade do quadro de profissionais das UTIs pediátricas, afirmando que atende às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em relação ao contrato com o Instituto Brasileiro de Medicina (IBMED), responsável pela gestão da unidade, a Prefeitura informou que a licitação e o contrato seguem a legislação e ressaltou que o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) arquivou representações que questionavam o processo.

O Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) informou que acompanha a situação das UTIs pediátricas e declarou que adotará as medidas cabíveis caso sejam constatadas irregularidades que comprometam a assistência aos pacientes ou as condições de trabalho dos profissionais.

O Ministério Público Federal (MPF) confirmou o recebimento da denúncia envolvendo o Hospital da Criança e informou que o material será analisado por um procurador da República, que decidirá sobre a adoção de medidas para aprofundar a apuração dos fatos. Já o Ministério da Saúde afirmou que a auditoria em andamento deverá identificar possíveis falhas administrativas, assistenciais ou estruturais na unidade.

Gostou do conteúdo? compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *