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Laudo aponta piora mental de Adélio, autor da facada em Jair Bolsonaro

Um novo laudo pericial aponta o agravamento do quadro psiquiátrico de Adélio Bispo, autor do atentado a faca contra o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, em 2018. As informações foram divulgadas pela colunista Manoela Alcântara, do site Metrópoles, com base em avaliação técnica realizada durante o período de internação e custódia do detento.

Segundo o documento, a análise clínica ao longo de todo o acompanhamento institucional revela a presença de quadros psicóticos persistentes, com oscilações, porém sem remissão verdadeira. Os peritos destacam que Adélio apresenta recusa sistemática ao tratamento psiquiátrico, além de negar de forma contínua a existência de qualquer transtorno mental, rejeitando também o uso de medicação.

O laudo aponta ainda que Adélio mantém delírios estruturados de natureza religiosa, política e persecutória, todos considerados ativos durante as fases de observação institucional. Esses delírios, segundo os especialistas, impactam diretamente sua capacidade de discernimento e reforçam a avaliação de instabilidade do quadro clínico.

Também foram registrados episódios de instabilidade emocional e surtos psicóticos, especialmente nos anos de 2019 e 2020, marcados por crenças complexas e desorganização mental significativa. A perícia ressalta que há ausência total de insight, ou seja, o detento não reconhece a própria condição de saúde mental nem a necessidade de acompanhamento médico.

No aspecto comportamental, o laudo descreve isolamento social e baixa integração institucional. Adélio tende a permanecer sozinho, evita atividades coletivas, como banho de sol em grupo, e demonstra receio de interação com outros internos, o que dificulta ainda mais qualquer tentativa de reabilitação.

Os peritos também avaliam que o ambiente prisional federal atua como fator agravante do quadro psiquiátrico. De acordo com o relatório, a rotina marcada por vigilância intensa, câmeras e controle permanente contribui para a manutenção e o agravamento dos sintomas apresentados.

Apesar de não haver registro recente de episódios de agressividade, o laudo conclui pela manutenção da periculosidade institucional, uma vez que os delírios persecutórios permanecem ativos. Diante desse cenário, não há recomendação para concessão de liberdade, sendo indicada a continuidade da custódia em ambiente compatível com tratamento psiquiátrico especializado, conforme decisão judicial vigente.

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