Vice-prefeito de Arari é alvo de investigação da PF por desvios do Fundeb no Maranhão

O vice-prefeito de Arari, Almir de Jesus Leite Silva (PSD), está entre os principais alvos de uma investigação conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre supostos desvios de recursos do Fundeb em municípios maranhenses.
De acordo com documentos que tramitam no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Almir Leite é proprietário da empresa Pilares do Saber Ltda, responsável por firmar dezenas de contratos milionários com prefeituras do Maranhão para o fornecimento de material didático. As investigações apontam indícios de uma organização criminosa atuando em crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas.
A empresa é suspeita de ter se beneficiado de dispensas e inexigibilidades de licitação, mecanismos que podem indicar favorecimento e direcionamento de contratos. Segundo levantamento do Folha do Maranhão, a Pilares do Saber manteve acordos com pelo menos 41 prefeituras, o que revela a dimensão do esquema investigado.
O inquérito é desdobramento de uma ocorrência registrada em janeiro de 2022, quando a PRF apreendeu R$ 575,8 mil em espécie na BR-316, em Peritoró. O dinheiro estava em veículo de familiares da deputada estadual Daniella Jadão Meneses Cunha, que também passou a ser investigada. Mensagens extraídas de celulares apreendidos citavam a Pilares do Saber em supostas negociações irregulares.
Além de Almir Leite, figuram como investigados o prefeito de Santa Inês, Felipe dos Pneus, o ex-secretário de Educação Fagner Gomes, o diretor de compras Antônio José de Magalhães Neto, Hugo Fabiano Roriz Menezes, Mauro Sérgio Britto Silva e a própria deputada Daniella Jadão.
Na última quinta-feira (21), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Almir Leite em Arari, recolhendo celulares, computadores, documentos e mídias digitais para reforçar as apurações. O MPF destacou que os contratos da empresa se mantiveram vigentes até dezembro de 2023, o que demonstra a atualidade do caso.
As investigações continuam em andamento e podem resultar em denúncias criminais e na responsabilização de políticos e empresários suspeitos de envolvimento no esquema.



