Projeto de última hora de Braide gera insatisfação na Guarda Municipal de São Luís

A despedida de Eduardo Braide da Prefeitura de São Luís, rumo à disputa pelo Governo do Estado, deixou mais do que uma cadeira vaga: abriu uma frente de crise com a Guarda Municipal. Nos últimos movimentos antes da saída, o ex-prefeito encaminhou à Câmara um projeto que reestrutura a remuneração da categoria, medida que, na prática, tem sido interpretada pelos agentes como um corte disfarçado e um endurecimento das condições de trabalho.
Pelo texto, a proposta substitui o modelo atual, baseado em salário base somado a gratificações e escalas diferenciadas, por um subsídio fixo vinculado a uma jornada de 40 horas semanais. A mudança elimina adicionais e horas extras, pilares da composição salarial dos guardas hoje. Para os servidores, o resultado é direto: mais horas trabalhadas e menos dinheiro no bolso, atingindo principalmente quem depende das escalas para complementar renda.
A reação foi imediata. Sem diálogo prévio e apresentada no apagar das luzes da gestão, a iniciativa é vista como um movimento para ajustar contas às custas dos servidores. Agora, o impasse recai sobre a nova administração, que assume sob pressão de uma categoria mobilizada e diante do desafio de lidar com um desgaste que já nasce político e socialmente inflamado.


