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Lei Maria da Penha chega aos 20 anos com avanços e desafios no enfrentamento à violência

Foto: Reprodução

Há duas décadas, o Brasil dava um passo decisivo no enfrentamento à violência doméstica com a sanção da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Em vigor desde 7 de agosto de 2006, a legislação passou a estabelecer mecanismos de proteção às mulheres em situação de violência, fortalecendo medidas de prevenção, assistência às vítimas e punição aos agressores.

Antes da lei, casos de violência dentro de casa eram frequentemente tratados como conflitos familiares e, muitas vezes, não recebiam a devida resposta do sistema de Justiça. A partir da nova legislação, diferentes formas de agressão passaram a ser reconhecidas, incluindo a violência física, psicológica, sexual, patrimonial, moral e, mais recentemente, a violência vicária, quando os filhos são usados para atingir a mulher.

Mesmo com os avanços conquistados ao longo desses 20 anos, o cenário ainda preocupa. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, número 4,7% superior ao registrado no ano anterior. Desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime, em 2015, mais de 13 mil mulheres foram assassinadas no país em razão de sua condição de gênero.

A lei recebeu o nome de Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica e ativista que sobreviveu a duas tentativas de homicídio praticadas pelo então marido, em 1983. Ela ficou paraplégica após ser baleada enquanto dormia e, meses depois, sofreu uma nova tentativa de assassinato.

Maria da Penha Maia Fernandes. (Foto: reprodução)

A demora na responsabilização do agressor levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que condenou o Estado brasileiro por omissão e negligência na condução do processo.

Ao longo dos anos, a legislação passou por atualizações para acompanhar as novas formas de violência. Entre elas está o enfrentamento à violência praticada no ambiente virtual, que inclui perseguições, ameaças, divulgação não autorizada de imagens íntimas, exposição nas redes sociais e outras condutas utilizadas para constranger, intimidar ou controlar mulheres por meio da internet.

Especialistas apontam que, além do fortalecimento das políticas públicas, ainda é necessário ampliar o acesso das vítimas à rede de proteção, incentivar as denúncias e combater a subnotificação dos casos. A avaliação é de que a Lei Maria da Penha representa um dos maiores avanços na defesa dos direitos das mulheres no Brasil, mas sua efetividade depende da atuação integrada dos órgãos de segurança, Justiça, saúde e assistência social.

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